LEITURINHAS ILUSTRADAS

Postado em 26 de março de 2018 por Seja o primeiro a comentar
Crédito da imagem: Luigi Tonna.

Crédito da imagem: Luigi Tonna.

(por Carla Kühlewein)

ANDRÉ NEVES nasceu em Recife, mas atualmente mora em Porto Alegre (RS). Escritor, ilustrador, e arte-educador, tem sido há algum tempo destaque no cenário nacional e internacional da Literatura Infantil e Juvenil. Dentre seus mais de 50 livros publicados, já teve alguns com o selo “altamente recomendável”, da FNLIJ, como TOM e ENTRE NUVENS, de autoria própria, e também recebeu prêmios pelo conjunto da obra, como o “Monteiro Lobato” e o “Luís Jardim” (na categoria melhor livro de imagem com seca). Dedica-se a exposições de obras e palestras sobre Literatura Infantil e Juvenil.

Para saber mais, acesse: http://confabulandoimagens.blogspot.com.br/

 

 

LEITURINHAS – Qual a diferença entre o processo de criação de ilustrações para livros infantis e os demais tipos de ilustração?

ANDRÉ NEVES – A principal é ser uma narrativa. Trabalhamos com uma história e a fantasia acontece, página a página, dando sentido a uma sequência visual de acordo com o imaginário do artista. Independentemente de haver ou não um texto. 


LEITURINHAS – Ao receber uma proposta de trabalho para ilustrar um livro, até onde vai sua autonomia para a escolha de seu projeto gráfico, desde as cores e traçados até o estilo da fonte e tamanho do texto escrito?

ANDRÉ NEVES – Atualmente, com o reconhecimento do meu trabalho e ao minha dedicação ao processo de ilustrar, principalmente exigindo de mim mesmo respeito ao leitor, as editoras já entendem que é necessário dialogarmos para chegarmos ao melhor dentro das possibilidades do campo gráfico brasileiro. Mas existem histórias e histórias. Cada projeto é único.

LEITURINHAS – Em sua perspectiva, o ilustrador é considerado como um co-autor do livro infantil? Como fica a questão dos direitos autorais das imagens, são consideradas de forma isolada ou em conjunto com o texto que ilustram? 

ANDRÉ NEVES – Sim, somos co-autores. Hoje, muitos profissionais já iniciam sua trajetória com essa consciência. Alguns editoriais também acreditam e reconhecem. Cada proposta deve ser pensada e cada ilustrador defende o que para si é válido. Varia atualmente entre 2 e 5%. Porém tenho me dedicado a escrever e ilustrar minhas próprias histórias. 

LEITURINHAS – Atualmente alguns teóricos da literatura defendem a ideia de que a ilustração dos livros infantis já não é mais apenas uma representação do texto escrito, mas sim um complemento que pode proporcionar um novo modo de ler o livro, passando a ser um elemento central e que não pode mais ser apenas como complementar ou de forma separada. O que você pensa a respeito disso?

ANDRÉ NEVES – Certamente. Mas não é uma regra. Isso acontece em alguns livros, de acordo com o imaginário, a experiência e o potencial narrativo do criador visual. Se a história for escrita por outra pessoa ainda podemos esbarrar na falta de espaço, respiro ao pensamento. Às vezes quem escreve não consegue visualizar o acompanhamento visual que estará presente em suas palavras.  O ilustrador muitas vezes necessita de tempo para conseguir soluções. Às vezes esse tempo é dado. Às vezes o resultado acontece com sucesso. Outras não. 

LEITURINHAS – A literatura infantil tem tratado cada vez mais de temas atuais. Nesse sentido quais os desafios ao se ilustrar livros, como Um dia um rio, que tratam de uma realidade tão dura, sem cair no extremismo ou no utilitarismo pedagógico?

ANDRÉ NEVES – Encontrar o caminho da fantasia para transformar a realidade, mesmo dura, em sonho. Isso tocará o pensamento com sensibilidade. 

 

LEITURINHAS – Qual sua perspectiva enquanto ilustrador sobre a tragédia ocorrida em Mariana (MG) e sobre a maneira artística de expressá-la no livro Um dia um rio?

ANDRÉ NEVES – Formar consciência, denunciar e impressionar o pensamento leitor com audácia entre o real e a fantasia. Impressionar com prazer através do sonho é do que gosto. 

um dia um rio

LEITURINHAS – Você considera as ilustrações como algo de arbitrariedade universal, ou seja que qualquer pessoa, mesmo de diferentes idiomas (partes do mundo), consegue compreender? De que forma isso se processa em Um dia um rio?

ANDRÉ NEVES – Sim. Claro. A leitura visual é universal. No caso deste livro o leitor compreende através da imagem e do texto poético que existe através da fantasia algo que realmente pode vir a acontecer. Em qualquer lugar. 

Categoria : Entrevista
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