LEITURINHAS PRETINHAS

Postado em 12 de setembro de 2017 por Seja o primeiro a comentar

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(por Carla Kühlewein)

 

 

Rubem Filho é ilustrador, artista gráfico e escritor. Nasceu em Belo Horizonte, em 1969. Tem o desenho como uma atividade natural, a qual não sabe especificar quando iniciou, só pode afirmar que não fica sem exercê-la um dia sequer. Começou a trabalhar com artes gráficas aos 17 anos, passando um bom tempo em agências de publicidade como arte-finalista e diagramador. Este trabalho veio a custear seus estudos na Fundação Escola Guignard, onde pôde aprimorar o desenho como esgrima e descobriu a gravura, que veio a se tornar sua atividade preferida no mundo. Especializou-se em gravura em metal e litografia, lá trabalhando como monitor por alguns anos após se graduar em Artes Plásticas. Ao juntar o seu amor pelo desenho com o amor pelos livros e o amor pelos pequeninos, passou a trabalhar com livros infanto juvenis, a partir de 1996. De lá para cá são dezenas de títulos publicados, entre ilustrados, projetados e escritos.

Saiba mais: <http://http://rubemfilho.wixsite.com/rubem-filho>

 

LEITURINHAS – Em sua homepage você relata não saber quando iniciou a desenhar, mas que desde que iniciou raramente passou um dia sem fazê-lo. O que o leva a desenhar de forma tão natural e constante? Tudo é motivo ou há ocasiões especiais que o levam a isso?

RUBEM – Bom, é comum que me perguntem quando exatamente eu comecei a desenhar; e a resposta é simples: não é que eu tenha começado, eu apenas nunca parei. Todas as crianças desenham, sem exceção, e à medida que vão crescendo descobrem outras vocações e interesses, e o desenho vai deixando de ser a forma natural de expressão. No meu caso, apenas não achei nada melhor para fazer, e segui desenhando…

LEITURINHAS – Em seu site é possível também encontrar vários de seus trabalhos que vão desde livros infanto-juvenis e didáticos a cartuns e seus trabalhos como designer. Como é lidar com tamanha versatilidade? Há alguma dessas atividades que tome mais o seu tempo ou você oscila entre elas sem frequência ou rigor?

RUBEM – Eu gosto de ter um certo “não-estilo”, ou seja, ao invés de procurar uma assinatura própria para o meu trabalho, acho mais divertido elaborar coisas que sejam completamente diferentes umas das outras. O ato de desenhar é o mesmo, de qualquer modo; é como ter um violão e tocar uma modinha ou uma partita. O violão é o mesmo, e os dedos também, mas a música é diferente. A frequência com que realizo cada uma das atividades está relacionada à demanda do momento, a saber, livros ou design gráfico. Os cartuns aparecem quando tenho tempo disponível para desenhar sem compromisso, tempo quase sempre escasso… mas acho uma grande curtição também.

LEITURINHAS – Quais adequações, enquanto designer, você precisou realizar ao ilustrar livros infantis e juvenis? Como é desenhar e escrever para um público tão específico quanto este?

RUBEM – Não foram necessárias muitas adequações, porque eu era diagramador antes de começar a ilustrar; por ter uma relação de longa data com impressos e suas manufaturas, o processo se deu de forma bastante natural. Desenhar e escrever para crianças… desenhar não é problema, para mim é saúde e para as crianças é alegria. Mas escrever, acho incrivelmente difícil porque tendo a ser meio prolixo, e ademais as crianças são imprevisíveis no que se refere ao que elas vão gostar ou não. Mas procuro desenvolver ambas as atividades com o mesmo desvelo e carinho.

LEITURINHAS – Quando nasceu o escritor-ilustrador Rubem Filho? Mesmo quando você ainda não escrevia livros, você se imaginava, de certa forma, um escritor?

RUBEM- Não, não me imaginava. Muito menos para crianças. Mas o escritor nasceu justamente com a Pretinha de Neve, que eu escrevi com muita dificuldade, confesso.

LEITURINHAS – Todos os livros que você escreveu foram ilustrados por você? O livro “Pretinha de neve e os sete gigantes” (escrito e ilustrado por você) é uma releitura dos contos de fadas clássicos, em que aparecem elementos africanos (pretinha, África, Monte Kilimanjaro, dentre outros), os quais sugerem a africanidade da obra, por que a escolha? Você consideraria essa obra pertencente à afro-brasileira? Pretinha de neve

RUBEM – Bem, escrevi apenas três. Além da Pretinha, escrevi “A História de Gilgamesh, o Grande” (publicado pela editora Uniduni) e adaptei contos de Edgar Allan Poe para jovens leitores (“Três vezes Poe”, ainda no prelo). Mas ilustrados, tenho 107 ou 108, não estou certo, de uma grande gama de autores. Quanto à Pretinha, surgiu de um mero trocadilho na minha cabeça, que acabou por puxar a história inteira. No entanto tenho vários livros publicados com a temática afro-brasileira (negro que sou, inclusive) e não me canso de me deslumbrar com a extraordinária riqueza, inventividade e beleza das histórias e lendas que vêm de lá.

LEITURINHAS – Em seus futuros projetos para a literatura infanto-juvenil, há previsão de alguma obra na mesma vertente da de “Pretinha de neve”? O que o pequeno leitor pode esperar de Rubem Filho escritor e ilustrador para os próximos anos?

RUBEM – Pode-se esperar sempre o trabalho feito com amor e dedicação… embora eu não saiba que livro há de me escolher. Não tenho no momento planos de escrever outra história na mesma vertente, mas as ideias me atropelam. Vamos a ver. Para citar outra coisa que vivo repetindo, o melhor trabalho que já fiz até hoje é o próximo!

Categoria : Entrevista
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