A MAGIA DA DANÇA

Postado em 25 de janeiro de 2018 por Seja o primeiro a comentar

Por Ana Aparecida Ferreira Domingues

A magia da dança

Crédito da imagem: COMPASSO DA DANÇA, Londrina/PR.

 

Julia, uma linda dançarina que morava em Nova Iorque, era tão feliz que sua alegria transbordava e contagiava quem com ela convivia. Doce, simpática, amável, delicada e de bem com a vida.

Seus sonhos estavam se concretizando de uma forma tão incrível, que ela nem acreditava: recebera vários prêmios e troféus com 17 anos, e com 18, já estava viajando pelo mundo, levando seu talento e espalhando sua energia.

Tudo caminhava bem demais, certo demais… até que algo a fez abandonar por um tempo o que mais amava fazer: dançar.

Aconteceu que, numa noite fria e chuvosa do ano de 2000, indo de carro para uma apresentação, Julia sofreu um grave acidente, que a deixou sem o movimento das pernas.

Ela ficou alguns dias no hospital, e, ao sair, foi recebida por muitos repórteres e fotógrafos. Não quis conversa, queria somente ir para casa descansar.

A jovem sabia que não era a mesma. Não sentia mais ânimo para nada. Nem comer, nem ir ao parque tomar um sorvete, nem assistir ao seu filme preferido. Não via mais sentido em nada. Inclusive na vida.

A mídia por um tempo falou sobre ela e sua situação. Mas logo parou. Caiu no esquecimento. Só que Julia continuava lá, em sua cadeira de rodas. Magra, sem forças, sem chão, depressiva. Sim, depressiva. A família tentava animá-la, no entanto nada adiantava.

Passaram-se dois anos, até que a família de Julia recebeu um convite das crianças do bairro para uma apresentação de dança em uma praça próxima à casa deles. Julia hesitou, mas seus pais e seu irmão mais novo insistiram tanto que ela concordou em assistir.

Tomou um banho, colocou um belo vestido florido, sandálias tão delicadas quanto ela, penteou o cabelo e foi para o evento.

Chegando lá, Julia e sua família foram recebidos com muita alegria. A praça estava linda. A jovem tinha até se esquecido de como era o brilho da lua. Seus olhos estavam hipnotizados, encantados, com todos aqueles enfeites e aquela gente esperando o evento começar. Ah, e a música! Sim, a música! A música a deixou mais leve, mais calma!

Dada a abertura das apresentações, o primeiro grupo de crianças entrou. Julia caiu em lágrimas. Não conseguia segurar a emoção que sentia. A dança estava linda! Os pequenos fizeram tudo perfeitamente. Uma fofura!

Quando o evento acabou, Julia estava em prantos, não conseguia parar de chorar. Seu irmão perguntou se ela estava bem e ela respondeu:

- Estou ótima! Melhor impossível. Essas crianças me ajudaram a superar a dor. Sei que minha situação não tem volta, mas ficar presa dentro de casa sem fazer nada e só chorando, é tolice! Vou fazer diferente agora. Não importa como, mas irei ajudá-las de alguma forma. Elas têm talento, sabem o que estão fazendo.

Então, com essa ideia em mente, a jovem voltou para casa e mal conseguiu dormir. No dia seguinte, fez alguns cartazes e pediu para que seu irmão os espalhasse pela cidade. Cada um deles estava convidando crianças para participar de aulas de dança, todas as sextas, às 20 horas. O endereço, era a casa de Julia.

No dia combinado, apareceram várias crianças. Mas quando se depararam apenas com uma moça em uma cadeira de rodas, ficaram um tanto assustadas. Então Julia começou a falar:

- Olá, crianças. Bom… Meu nome é Julia… Tenho 21 anos… E eu amo dança. Mas como vocês podem ver, não posso mais dançar. Sofri um grave acidente de carro há dois anos. Sim, fiquei muito triste com o ocorrido, até com depressão. Só que ontem, vi apresentações lindas, que me encantaram muito e me fizeram ver que minha vida não podia continuar do jeito que estava. Então decidi dar aulas de dança. Espero que vocês gostem, aproveitem e se divirtam.

Daquele dia em diante, Julia passou a dar aulas de dança para crianças. Ensinou através de vídeos da internet os passos básicos de cada estilo de dança, e pedia que eles fossem tentando, até acertarem. Às vezes ela até gritava:

- Não lembram dos vídeos? Os braços são bem esticados! Cabeça erguida! Não tinha nada de moleza não! Eu sei que vocês conseguem! Vamos! Vamos!

Depois dos passos básicos, ela ia para os mais complicados. Como não tinha vídeos para estes, tentava explicar da forma mais clara possível, e os alunos sentadinhos, prestavam bastante atenção e conseguiam entender perfeitamente.

A cada dia Julia via progresso nas aulas, e isso a deixava muito feliz e satisfeita. A jovem não podia dançar, mas em seu coração ainda ardia essa paixão. As crianças eram tudo pra ela. Eram seu sol da manhã, sua luz para que pudesse continuar a viver.

Categoria : Lá vem conto!
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