Educando seus filhos: Uma balança em equilíbrio (parte I)

Postado em 6 de junho de 2016 por Seja o primeiro a comentar

(por Renata Mantovani)

Na tentativa de educar seus filhos, há pais que, por falta de observação ou até mesmo de conhecimento e orientação, exercem a monitoria negativa, acabando assim por prejudicar a formação da criança, ao invés de auxiliar como de fato é a intenção, recorrendo muitas vezes ao psicólogo por não conseguir educar o filho da forma como pensa ser adequado. A esse respeito Gomide et al (2005, p.170) comentam que:

 

A monitoria negativa se caracteriza pelo excesso de fiscalização da vida dos filhos e pela grande quantidade de instruções repetitivas, que não são seguidas pelos filhos, produzindo um clima familiar hostil, estressado e sem diálogo, já que os filhos tentam proteger sua privacidade evitando falar sobre suas particularidades.

 

Autores afirmam que quando os pais interagem mais com seus filhos nos momentos de corrigir ou criticar, consequentemente, estes aprendem que podem utilizar esse modelo de coerção sempre que quiserem conseguir algo do outro (Bolsoni-Silva e Marturano, 2002, p. 230, apud Sidman, 1995).

Disciplinar não é a mesma coisa que punir, mas sim, ensinar e isso demanda habilidades dos cuidadores. Não é uma tarefa simples e fácil, é preciso tempo, energia, autocontrole, paciência, habilidades parentais, entre outras questões que são vistas no dia a dia (WEBER, 2007).

Muitas vezes a criança está habituada a um modelo de educação com poucas regras, ou até mesmo negligente, e por algum motivo, de repente, os cuidadores ou pessoas que farão o papel de pais temporariamente ou definitivamente, em caso de adoção, veem a necessidade de ensinar comportamentos diferentes dos que estavam sendo aceitos até o momento, é quando acontecem, em muitos casos, conflitos familiares nos momentos de decidir por um ou outro modelo de educação da criança, e até mesmo ela sente-se um tanto confusa sobre qual modelo é ideal seguir agora. Nesse momento precisa-se muita paciência, persistência e consistência na forma de apresentar e executar a nova forma, como afirma Weber (2007, p. 19).

Outro alerta importante, é que quando você começa a mudar o seu modo de agir e estabelecer regras, o comportamento do seu filho, não acostumado com isso, pode até piorar no início. Isto é claro: se ele está acostumado a receber atenção de um jeito errado e você mudar o esquema, ele vai reagir, e vai reagir, e vai reagir do jeito que aprendeu durante tanto tempo.

 

Durante esse tempo se a criança não for instruída adequadamente, pode pensar e sentir-se um ser inadequado ao ambiente, visto que não é mais aceito da forma que era anteriormente, e como ela ainda não tem maturidade para discernir algumas questões em relação a modelos de educação, pode ocorrer uma queda em sua autoestima e auto-confiança, por isso esse processo de mudança é delicado e precisa ser analisado e colocado com muito cuidado, visto que, como diz Weber “O que se sabe é que quanto mais amada uma criança se sente, melhor ela aceita as regras e desenvolve amor e compaixão pelos outros.” (2007, p. 24).

Por isso, a correção se faz necessária, mas ela será muito mais efetiva quando os cuidadores derem atenção ainda maior quando for para por exemplo, elogiar, dar carinho, incentivar, valorizar o que a criança faz de positivo, pois aí a criança percebe que é amada incondicionalmente e que a correção faz parte desse amor.

As práticas educativas nem sempre são simples de aplicação, aos olhos dos pais, uma vez que é comum reproduzirem a forma que aprenderam de seus próprios pais, às vezes não percebem que cada ser humano é individual e tem realidades emocionais que se diferem uns dos outros. Nesse caso, urge a relevância da realização de uma análise funcional, a fim de identificar porque alguns comportamentos ocorrem com algumas crianças e com outras não, visto que é a identificação da funcionalidade do comportamento para aquele indivíduo é que possivelmente permitirá a intervenção adequada.

Categoria : Psicoleiturinhas
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