Cinderela está de volta!

Postado em 25 de março de 2015 por Seja o primeiro a comentar

Cinderelas

(por Carla Kühlewein)

Estreia nos cinemas, no dia 26 de março (amanhã), o filme CINDERELA. A clássica história da princesa, dona do sapatinho de cristal mais cobiçado do planeta, promete repetir o êxito de Malévola, a vingativa bruxa, interpretada por Angelina Jolie, que alcançou uma notável bilheteria e trouxe de volta à cena a obsoleta Disney.

No filme que estreia esse mês, a cinderela (Tremaine), interpretada por Cate Blanchett, vivencia em intensidade uma história de amor, bem ao gosto dos contos de fadas a la Disney. O longa-metragem baseia-se na animação de 1950, famosa pelas “cantorias” da menina/moça e demais personagens da história, satirizadas nas versões de Shrek.

A animação da década de cinquenta elevou a Disney ao topo das produtoras cinematográficas estadunidenses e consolidou-a nesse mercado por anos a fio. No entanto, a partir da invasão das RELEITURAS dos contos de fadas, inauguradas pela animação computadorizada, a exemplo de Shrek, a produtora parecia ter caído no esquecimento.

Não é demais lembrar que a versão original do conto, registrada pelos irmãos Grimm, tem diferenças pontuais em relação à cinematográfica. A começar pelo título daquela “A gata Borralheira”, apelido que a personagem central ganha devido ao fato de ficar deitada ao lado da lareira, sobre o borralho (cinzas da fogueira), após um dia exaustivo de trabalho.

Na versão original, a Gata Borralheira (Cinderela) é de tal modo piedosa que mesmo se casando com o príncipe e conquistando a felicidade eterna (o famoso “para sempre”), diante da hostilidade dos convidados da festa de casamento em relação às irmãs e à madrasta malvadas e ao pai desnaturado, a princesa preserva sua serenidade.

Detalhe: na versão dos autores alemães, o pai de cinderela é conivente com os maus tratos que ela recebe. Esse fato foi excluído na versão cinematográfica, pois o pai é ausente da vida da princesa (viaja e deixa-a sob os “cuidados” das vilãs da história) e, posteriormente, morre. Confira o trecho final da versão dos irmãos Grimm:

Chegaram (irmãs, madrasta e pai) ao palácio e de imediato foi celebrado o casamento. Quando os habitantes do reino souberam da forma como o malvado e desnaturado pai, a madrasta e as duas filhas tinham tratado aquela que agora era a sua adorada princesa, começaram a desprezá-los de tal modo que eles tiveram que abandonar o país.

A princesa, fiel à promessa feita à mãe, continuou a ser piedosa e bondosa como sempre e continuou a visitar o seu túmulo e a orar debaixo da árvore, testemunha de tantas dores e alegrias.”

Resta saber se a Cinderela da Disney será tão piedosa quanto a dos Grimm… O fato é que a Walt Disney Pictures, que literalmente saiu do borralho e retornou aos holofotes, tem apostado numa RELEITURA dos contos de fadas preservando sua forma clássica. Na contramão da saga do irreverente ogro verde da DreamWorks.

Seja como for, a maior história de amor da infância de muitos de nós está de volta aos cinemas, numa releitura pomposa. É esperar e conferir.

Boas RELEITURINHAS!

Saiba mais:

Confira o trailer do filme: https://www.youtube.com/watch?v=KsnlU2y-Lz0

Confira o filme de 1950: https://www.youtube.com/watch?v=QwpksCqjNgQ

E a versão original de “A gata borralheira”: http://www.grimmstories.com/pt/grimm_contos/a_gata_borralheira_cinderela

 

 

Categoria : Releiturinhas
  • twitter
  • facebook
  • linkedin
  • delicious
  • digg

Sobre admin

Deixe um comentário