ZÉ, O DIFERENTE

Postado em 28 de janeiro de 2017 por Seja o primeiro a comentar

(por Juliana Fernanda de Souza e Rubia Kelly)

 

                 Os gritos romperam o silêncio da madrugada, na metrópole, apressados seguiram a caminho da maternidade, em uma noite chuvosa e fria, a neblina pairava sobre a cidade.

               Gertrudes não era a única as berros naquele hospital, os gritos chegavam a agoniar as enfermeira que faziam o plantão, entre elas estava Magda, uma das protagonistas do triângulo amoroso que estava prestes a se romper naquela noite com aqueles nascimentos.

                  Oscar, junto com os outros pais, encontrava-se ansioso na sala de espera, mal sabia ele o que lhe esperava naquela noite…

               Ao amanhecer, recebeu a notícia de que sua esposa e seus filhos, que eram quíntuplos, passavam bem. Convidado a conhecer seus filhos, encontrou sua esposa aos prantos, ao perguntar-lhe o que houvera, em soluços ela respondeu que um dos meninos nada parecia com os demais.

                Os dias se passaram e com o crescer das crianças, era cada vez mais visível como Zé era diferente dos outros filhos. O espanto era geral, na família a vizinhança ouvia murmúrios a respeito da aparência da criança, como poderia entre quíntuplos ser um tão diferente?

                Nem mesmo Oscar e Gertrudes entendiam o porquê. Os dias iam se passando e assim as semanas, os meses…

                A cada dia as perguntas e dúvidas naquela família eram cada vez maiores. Oscar questionava Gertrudes, muitas vezes, por uma suposta traição de sua parte, pois não haveria outra explicação. Ela sofria muito com isso, pois era fiel ao esposo.

                Oscar, Gertrudes e os quíntuplos já não suportavam tantos rumores sobre a aparência do pequeno Zé.

                Os anos se passaram e o amor de Gertrudes e Oscar pelos filhos era cada vez maior, porém Zé sentia que, além de sua aparência, havia algo errado. Amava sua família, mas não aceitava o quanto era diferente de seus irmãos e seus pais. Todos tinham os cabelos crespos, olhos escuros e a pele negra, somente Zé tinha pele clara e olhos verdes.

                No 18º aniversário dos quíntuplos, Zé resolveu procurar respostas para todo esse mistério. Ao procurar a maternidade onde nascera, encontrou Magda. Ela relatou os fatos ao rapaz sobre as histórias que ouvira na noite em que a mãe dele dera a luz aos quíntuplos.

                Magda, que sempre soube quem era o jovem, pediu para que ele voltasse ao hospital dali há alguns dias, pois iria investigar sobre as crianças que nasceram na mesma noite que ele e seus irmãos.

                Porém ao retornar após alguns dias, como combinado com Magda, na recepção do hospital Zé recebeu a infeliz notícia de que ela havia cometido suicídio há poucos dias. Desconsolado, ele ficou desesperado, pois acreditava que seria a única chance de entender  que acontecera.

                 Ao chegar em casa e contar a seus pais o triste fato, seu pai, Oscar, se desesperou e pediu, inconformado, ao filho que não procurasse mais respostas sobre esse assunto, que mesmo sendo diferente na aparência sua família o amava e nada no mundo mudaria isso.

               Mas para o desgosto de Oscar e surpresa de todos, antes de cometer suicídio Magda havia postado uma carta nos correios em nome do jovem Zé:

“Querido Zé,

Me perdoe por uma loucura de amor, perdi a cabeça e naquela noite a felicidade de seus pais me feriu a alma, por vingança a seu pai, que por longos anos me iludiu, troquei você no berçário da maternidade. Não suportei ver Oscar com outra mulher e constituindo uma família, enquanto que pra mim oferecia somente encontros em um quarto de hotel”.

            Zé, então, entendeu o desespero de seu pai quando pediu que o filho não fosse atrás de respostas. Respostas estas, que, na verdade, Oscar sempre soubera.

Categoria : Releiturinhas
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